segunda-feira, 9 de abril de 2012

Autocensura lingüística

Há poucos dias, um companheiro falava-me do caso que lhe aconteceu como representante de umha entidade ecologista, quando tivo que renunciar a ser entrevistado num canal televisivo espanhol por se negar a deixar fora o seu idioma, que é o de todas e todos nós: o galego.

Este companheiro recebera um telefonema do canal de televisom espanhol Telecinco, para o entrevistar em relaçom a um conflito ambiental na comarca de Trasancos. Acedeu, claro, mas na altura da entrevista, quando começou a responder na nossa língua, o entrevistador pediu-lhe para falar em espanhol, ao qual este companheiro, com bom critério, se recusou. A entrevista ficou por aí...

Lembro agora este caso enquanto vejo no Telejornal doutro canal privado espanhol, La Sexta, que vários porta-vozes da recentemente criada Plataforma em Defesa das Fragas do Eume, militantes de organizaçons políticas nacionalistas galegas, respondem em correto castelhano às perguntas sobre a grave situaçom originada na Capela polo incêndio florestal do passado fim de semana.

Suponho que a avaliaçom realizada por algumhas pessoas, incluídas as que acabei de ver na televisom, será que o importante é levar a mensagem dos movimentos sociais aos grandes meios de comunicaçom, sendo a língua utilizada um aspeto secundário. Nom é a minha, que considero ser a língua utilizada, num contexto de substituiçom lingüística como o galego, parte fundamental do objetivo discursivo.

Nom é preciso lembrar aqui a desigual consideraçom que tem o catalám em relaçom ao galego, no mercado mediático espanhol. Todos e todas vemos como aparece habitualmente legendada, em boca de empresários, políticos, desportistas profissionais, cantores... em funçom do interesse jornalístico da informaçom e do peso que de facto tem umha comunidade lingüística articulada e em autoconstruçom como é a catalá.
O catalám nom é invisível.

Na Galiza, onde a situaçom parece mais a da desarticulaçom ou esfarelamento final da nossa comunidade de falantes, o poder lingüístico está todo do lado do espanhol, sem que nem sequer as pessoas e coletivos mais sensibilizados com a questom pareçam ser conscientes do que está em jogo e do avançado processo de destruiçom da nossa comunidade lingüística.

Só assim se explica a fácil renúncia dos nossos porta-vozes, nom só numha problemática social concreta como a dos incêndios no episódio que comento, mas no conflito que atravessa qualquer acontecimento social, especialmente se conta com a interposiçom do alto-falante televisivo. Como podemos, nas circunstáncias que vivemos, renunciar ao uso do nosso idioma no nosso próprio país na primeira oportunidade em que nos colocam um microfone diante para falar do que quer que seja?

Podemos reclamar e queixar-nos pola atitude lingüicida das instituiçons públicas e privadas, claro; mesmo pola escassa consciência lingüística que coletivamente nos carateriza como povo, resultado de um histórico processo de extorsom ainda em marcha. No entanto, dificilmente poderemos avançar na recuperaçom de todo esse património se nós próprios nos invisibilizamos e exercemos a mais efetiva das repressons: a autoimposta em forma de autocensura.

Eu fico com a atitude do companheiro de que falei no início, que preferiu ser vítima da censura mediática em lugar de facilitar o labor aos que querem um galego invisível. Muitas atitudes como as dele obrigariam esses mesmos meios a recorrerem mais à legendagem e, sobretodo, tornaria visível a existência de um conflito lingüístico neste maltratado país chamado Galiza.

Por Maurício Castro em Galicia Confidencial.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Entrevista a bombeiro reintegracionista

“O reintegracionismo caminhou muito pelo academismo e chegou o tempo da divulgação, de passeá-lo na rua, nos cafés, enfim, em todo o lado”

"Eu moro numa zona relativamente rural, onde muita gente fala galego, mais os velhos do que os novos; mas, para quase todos, quando “baixam a Vigo” o castelhano manda em todo aquilo que seja institucional no sentido mais abrangente da palavra....."


E até aqui podo ler.... Adivinham quem é?
Mais, aqui

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ponte ao meu lado, ao nosso lado

O grupo Vozes da Rádio e a cantante Guadi Galego juntáram-se para gravar "Ponte ao meu lado", umha cançom para reivindicar de novo o património inmaterial galego-português

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Mudança de Paradigma 2ª Parte: Que é o que se ensina na Galiza. O paradigma galeguista

Por José Manuel Barbosa


A Galiza é politicamente um apêndice da Espanha, e isto é assim do ponto de vista legal-institucional como até o dia de hoje também é o País Basco ou a Catalunha. A Galiza também é um apêndice da Espanha no seguimento oficial da ideologia, muitas vezes, anti-galega, cousa que não acontece nos dous países antes nomeados que sabem defender os seus interesses políticos e económicos por acima do poder estatal. Assim, a Galiza reproduz o paradigma castelhanista tanto no ensino como maioritariamente na investigação, exceptuando honradíssimos casos como os de Camilo Nogueira, Anselmo López Carreira, João Bernárdez Vilar, José António López Teixeiro, André Pena Granha, Higino Martins Esteves, ou os históricos Ricardo Carvalho Calero e Ernesto Guerra da Cal, e ainda mais alguns que não nomeio por falta de espaço.








Nos estudos oficiais na Galiza ensina-se o seguinte:

· A Cultura chamada Castreja e os Celtas têm pouco ou nada a ver, de forma que qualquer elemento civilizacional galaico se diz de origem mediterrânico. Na época romana a Gallaecia quase não existe. Tudo é latino do ponto de vista cultural e latim do ponto de vista linguístico. O elemento indígena não achega nada útil à formação da futura Galiza e Roma é quem a inventa. Antes de Roma não há nada. É o vazio.







· Os suevos são um povo bárbaro, no senso pejorativo da palavra, que não deixa pegada nenhuma e o seu Reino é anedótico. Os suevos são bárbaros e os visigodos estão romanizados, o que significa que são mais civilizados. São estes últimos os que marcam a personalidade de toda a península incluída a Galiza. Não há elementos importantes e interessantes a salientar para a historiografia europeia no Reino Suevo, nunca Reino de Galiza ou Gallaeciense Regnum.







· Os muçulmanos ocupam também a Galiza (porque ocupam “Hispania tota”) que já nesta altura se identificava territorialmente com a Galiza actual. Astúrias é um Reino que “reconquista” e “repovoa” Galiza (4) para a causa cristã e a importância do País do apóstolo São Tiago descoberto por um Rei asturiano é mínima. Galiza é um ninguém, não tendo qualquer protagonismo nem militar, nem social, nem económico, nem quaisquer outros. Nesta altura é Astúrias a importante que lhe passa a testemunha a Leão e esta finalmente a Castela. Durante toda a Idade Média a Galiza é um objecto passivo nos acontecimentos da parte cristã da península e passa a ser um “Reino” pontualmente duas ou três vezes por acidentes políticos que se reencaminham da mão de Reis com interesses leoneses ou castelhanos (que finalmente vinha a ser o mesmo). Ser Rei de Galiza (a Galiza entendida territorialmente como a de hoje, não como a real daquela altura) é como não ser nada e normalmente nem se nomeia na historiografia geral peninsular porque os Reis da Galiza são Reis muito pontualmente ou são segundões sem transcendência histórica. Tudo em função de Castela (ou Castela-Leão) (5)





· A independência de Portugal conta-se como um acontecimento que tem “algo” a ver com a Galiza.





· Algum Rei chamado o Sábio deu-se-lhe curiosamente por escrever em galego porque era esta uma língua muito linda e poética mas esse rei era castelhano e a língua por excelência de toda a historiografia oficial é a de Castela falada pelos personagens realmente importantes como o Cid, ou o Rei do qual era bom vassalo como Afonso VI, também castelhano mas mal Senhor porque não defendia os interesses castelhanos.





· Os séculos XIII e XIV são séculos de lutas dinásticas entre Reis e revoluções sociais, mas nada se diz do lugar que ocupa a Galiza em tudo isto, as autênticas motivações, interesses, apoios e projectos da Galiza nestes séculos. Também nada se diz do que Portugal faz a respeito de Galiza.





· Os Reis chamados Católicos, Isabel e Fernando, foram os que “domaram e castraram” Galiza mas também são os que lhe dão gloria e unidade a Espanha. Há alguns que mesmo defendem na Galiza a conversão da Isabel I Trastâmara de Castela em beata como primeiro passo para a sua ascensão a Santa.





· Nos chamados Séculos Obscuros (de final do S. XV até a chegada de Napoleão à península) só há história económica (6), a história política está reservada para a Coroa de Castela ou o Reino da Espanha que vinha ser o mesmo. Galiza era um país de camponeses e marinheiros sem qualquer poder político e por algum personagem mais conspícuo do que os outros porque serve à Coroa.





· Durante os séculos XIX e XX Galiza só achegou escritores e galeguistas que não andavam metidos na política e por isso foram importantes. Todos eles sentiram-se muito espanhóis e o galeguismo é um pensamento mais do que nada cultural embora tivesse uma expressão regionalista que o espanholismo assume com normalidade. Mesmo o galeguismo nacionalista tinha disto último só o nome, porque todos os galeguistas defendiam a ideia de Espanha.




Qual é o paradigma galeguista?

Diz-se habitualmente que a história é contada sempre pelos vencedores. Neste caso, o paradigma galeguista é o que não triunfou e é por isso pelo que para além de não ser oficial, nem se ensina, nem se acredita nele. Mesmo as provas, as evidências, os documentos, os textos e as pessoas que os expõem tenham da sua parte toda a autoridade e a veracidade.

· Antes de Roma o N.W. peninsular estava habitado por um povo proto-celta matriz dos celtas do mundo Atlântico. Assim é como no-lo demostram os estudos de várias universidades britânicas seguindo estudos genéticos e mesmo a moderna Teoria da Continuidade Paleolítica de Mário Alinei, Francesco Benozzo e ainda o anteriormente o Professor galego André Pena Granha que já expus esta teoria, pelo menos no que diz respeita ao Noroeste peninsular vários anos antes do que fosse exposto pelos professores italianos, mas como na Galiza tudo passa pela peneira castelhanista não houve forma de que transcendesse.






· A língua dos chamados galaicos e lusitanos era a mesma e ocupava todo o Norte e o Oeste da península até o Tejo aproximadamente. Portanto, o parentesco galaico-lusitano era já anterior a Roma. Roma só dividiu pelo Douro com o fim de dividir para vencer. Prova importante para isto é que nas guerras lusitanas participassem tropas galaicas. Se os galaicos forem outro povo muito distante e alheio aos lusitanos essas guerras não seriam da sua incumbência e portanto não participariam.



· Durante a ocupação romana, a Gallaecia foi uma das províncias do império mais sucedidas economicamente, culturalmente e do ponto de vista artístico sendo o elemento indígena fulcral. Figuras como Prisciliano, Egéria, Paulo Orósio, e Idácio Lémico foram prova da importância da Nossa Terra. A figura de Prisciliano poderia equiparar-se a outras paralelas dentro do mundo céltico e atlântico como São Patrício, São Davide ou Santo André. Aliás, Prisciliano, pode dar pistas a respeito do fenómeno Jacobeu já que há quem assegura que quem realmente está (ou estava) em Compostela não era São Tiago, mas Prisciliano. As provas não são determinantes, mas a lógica leva por esse caminho.




· Os suevos, um povo germânico dos mais evoluídos e “romanizados”, constituíram na Gallaecia, a zona mais rica e desejável para eles da península, o primeiro Reino independente de Roma com um projeto militar e político de unificação peninsular com capital em Braga e com o apoio, colaboração e implicação dos galaicos que o sentiam como seu. A importância dos mesmos é grande: Com eles a Gallaecia constituiu-se no primeiro Reino medieval da Europa; foram os primeiros em emitirem moeda, o Sólidus suevo; os primeiros em legislar, administrar e construir um Estado; o primeiro Reino cristão após Roma; os criadores da mal chamada “letra visigótica” já que na realidade começou a existir na Gallaecia antes da chegada dos godos; os criadores da primeira arte pré-românica com elementos como o chamado arco de ferradura que na historiografia castelhanista diz-se visigodo; os primeiros em assumirem o cristianismo católico antes do que qualquer outro povo germânico, por isso a sua aceitação pelos galaicos. Na historiografia castelhanista diz-se que foram os visigodos os primeiros em aceitarem o catolicismo...




· Durante a unificação suevo-visigótica a Galiza manteve a sua personalidade política e administrativa, cultural, social e económica, contrariamente à ideia castelhanista dum Reino unificado visigótico com capitalidade centralista em Toledo e primeira amostra de Estado Espanhol pan-peninsular. Os Reis tinham o título de “Reis de Espanha, Galiza e a Gália” entendendo que a Galiza e a Espanha eram realidades diferentes. A Gália num princípio ocupava a actual Ocitânia para posteriormente ficar só na Septimánia ou Narbonense.




· A entrada dos muçulmanos na península deve-se à chamada dos vitizanos galegos. O domínio muçulmano da Espanha excluía por definição a Galiza fazendo desnecessária qualquer intervenção militar por parte destes por contarem com o apoio dos seus aliados vitizanos que eram quem tinham o poder na Galiza. Posteriormente a Galiza manteve um vazio de poder no conjunto do País mas governado por régulos de entre os que haveria que salientar os das Primórias, nome que se lhe dava naquela altura às comarcas do actual oriente asturiano e que levaram a iniciativa na posterior unificação de toda a Galiza. Da territorialidade da Galiza suevo-visigótica, só a região conimbriguense fez parte da Spânia (ou Al-Ândalus) para posteriormente ser recuperada e volta a perder por várias vezes por e para a Galiza.




· O nome do “Reino de Astúrias” ou “Reino de Leão” não é o que está recolhido nos documentos andalusis, carolíngios, papais, germânicos, anglo-saxónicos, bizantinos e escandinavos. O nome que figura neles é o de “Reino de Galiza” ou mais justamente em latim “Gallaeciense Regnum” (às vezes “Christianorum Regnum”). Dentro dos textos peninsulares, só uns poucos safaram da manipulação posterior do século XIII e posteriores. Os outros, redigidos muito posteriormente aos eventos que narram (7) não são fiáveis.



· Os conceitos de “Reconquista” e “Repovoação” não são interpretados igualmente pela historiografia galega e a castelhana. Para a castelhana é a recuperação do território nacional perdido por conquista e invasão muçulmana, mas para a historiografia galega nunca existiu um programa consciente durante a Idade Média de ocupação da Espanha muçulmana, nem um processo cronológico continuado de conquista. Desde a reunificação da Galiza após a entrada muçulmana até o século XI não houve variações importantes de limites territoriais. Contrariamente houve variações desde a anexação de Toledo, momento desde o que começa realmente o avanço cristão desde o Norte. Por outra parte “Repovoar” é interpretado para o castelhanismo como “tornar a povoar o que antes estava vazio ou povoado com outras pessoas alheias dum ponto de visto étnico e que houve de expulsar para manter a uniformidade nacional”. No entanto, segundo a versão galega a palavra “Repovoar” vem do latim originário REPOPULARE que vem sendo tornar a organizar um território, não do ponto de vista demográfico mas do administrativo e do político.




· Segundo o paradigma galego, o Reino de Galiza foi o protagonista da maior parte da Idade Média e o projecto de unificação peninsular. Castela surgiu quando esse projecto já estava encaminhado fazendo-se com ele e manipulando a historiografia. Para Castela, a Galiza simplesmente não existe, nem antes nem depois. Durante o Século XIII em adiante se vai levar a cabo por meio de determinadas pessoas com nomes e apelidos a eliminação do nome da Galiza dos documentos e o processo histórico leva a eventos que consolidam Castela como a construtora da actual Espanha (8). A separação de Portugal, a castelhanização de Leão e a união de Castela com Aragão fecham o processo.




· Os chamados “Séculos Obscuros” enquadrados dentro da Idade Moderna para o nosso paradigma não são tão obscuros. Na Galiza houve vida política embora dependente e com vontade de recuperação em alguns casos. O maior e mais importante episódio desta época é o seu final, quer dizer, a guerra contra os franceses no que a Galiza de facto agiu com total independência, com o seu governo, o seu exército, a sua política fiscal e diplomática e de facto quem conseguiu com ajuda do exército aliado britânico a expulsão dos franceses da Espanha e a derrota de Napoleão. O nosso País foi o primeiro da Europa em ficar livre de franceses. Infelizmente a ideia de fidelidade a um Rei fez com que essa independência de facto fosse cedida a uma monarquia quem poucos anos depois (em 1833) eliminaria o “Reino da Galiza” da cartografia, da legalidade, da diplomática e da nomenclatura para criar quatro províncias sem mais conexão entre elas do que pudesse haver com outras do novo “Reino da Espanha”.




No que diz respeito da língua, o paradigma galeguista sempre defendeu a unidade linguística galego-portuguesa e a necessidade da unificação e confluência entre as falas galegas e as portuguesas. Há hoje um galeguismo que isso não aceita, mas é o “galeguismo” oficial e dependente chefiado pela mesma ideia que gere o paradigma castelhanista. A origem da nossa língua está naquele “Gallaeciense Regnum” medieval que se quer negar desde Castela e ainda naquele “Galaico” ou “Proto-Galaico” do século X do que nos falam Carvalho Calero ou Rodrigues Lapa está mesmo a origem do castelhano que não é mais do que uma variante oriental extrema do Asturo-leonês ou galaico-oriental em contacto com o substrato basconço. O galego-português é a variante que os nossos vultos denominam como galaico-ocidental. O famoso “Mio Cid” não está redigido originalmente em castelhano medieval porque este não existia, mas em navarro-aragonês como nos dizem mesmo prestigiosos autores espanhóis como Rafael Lapesa ou Alonso Zamora Vicente. As chamadas “glosas emilianenses” e “glosas silenses” origem do castelhano segundo nos contam na escola, no liceu e na universidade não estão em castelhano, mas em navarro-aragonês. O castelhano é uma língua que se elabora a partir das falas de contacto entre o galaico-oriental (ou astur-leonês), o basco e o navarro-aragonês que era uma fala emparentada com o gascão e o catalão. No tema da língua o supremacismo castelhano e castelhanista agiu do mesmo jeito: destruindo documentação, manipulando informação e reduzindo o protagonismo da Galiza e do galego(-português).


domingo, 18 de setembro de 2011

O PP e a imersom lingüística

Existe toda umha corrente informativa que nos últimos tempos espalha a suposta oposiçom do Partido Popular às políticas de imersom como ferramenta de normalizaçom lingüística no Estado espanhol.

Por Maurício Castro | Ferrol | 16/09/2011


Segundo essa teoria, o Partido Popular defenderia a liberdade individual, para evitar planificaçons tendentes à imposiçom de umha língua concreta sobre as outras, mediante a obrigatoriedade do seu uso como idioma veicular no ensino, quer dizer, a “demoníaca” imersom lingüística.

Permita-se-nos discordar de tal interpretaçom, que oferece umha visom parcial da polémica que nestes dias enfrenta o PP com a maioria dos partidos cataláns, com o modelo de ensino do catalám e do espanhol como elemento de discórdia. Contrariamente ao que se di na maioria dos meios corporativos espanhóis, nom creio que o nó do conflito esteja na dicotomia “imersom sim” versus “imersom nom”.

Já temos comentado noutras ocasions a incorreçom de falar de um “nacionalismo” periférico galego (ou catalám, ou basco) enfrentado a um “nom nacionalismo” central espanhol, como fam nom só os ideólogos do espanholismo, mas também alguns teóricos do nacionalismo galego. A realidade responde realmente ao confronto entre dous nacionalismos: o defensivo da naçom pequena (Galiza) e o ofensivo ou expansionário da naçom grande (Espanha), segundo a terminologia aplicada já por Lenine a inícios do século passado para o contexto do imperialismo russo.

Afirmamos agora que é também um erro grave, e tememos que nada inocente, situarmos o debate em termos parecidos no caso das línguas e, concretamente, da imersom lingüística. De facto, isso só serviria para ocultar a verdadeira natureza do conflito político-lingüístico com que o espanholismo está a agitar as massas -mais umha vez- contra as identidades periféricas que ainda resistem a imposiçom definitiva do nacionalismo lingüístico espanhol.

A realidade dos factos afirma claramente que, desde a extensom completa da escolarizaçom universal no Estado, o nacionalismo espanhol sempre apostou na imersom lingüística para a única língua obrigatória no interior das suas fronteiras. Nom conhecemos nengum caso de nengumha força política relevante de ámbito espanhol que proponha ou tenha proposto o respeito pola territorialidade lingüística das comunidades lingüísticas historicamente presentes no seu interior: a galega, a basca, a catalá, a ocitana, a árabe, a tamazig-rifenho, a astur-leonesa, a aragonesa... Sublinhamos que nom estamos a falar de qualquer utopia irrealizável, pois há estados em que essa territorialidade está garantida, como a Suíça ou mesmo a Bélgica no caso do continente europeu, mas tal possibilidade fica descartada no caso espanhol.

Algumhas das referidas comunidades lingüísticas, é verdade, som claramente minoritárias nos seus respetivos territórios de referência, como resultado de processos seculares de assimilaçom hoje quase culminados. Tal é o caso aragonês ou mesmo o astur-leonês. Porém, outras som ainda hoje maioritárias, como acontece com o galego na Galiza, o catalám na Catalunha ou o rifenho no enclave africano de Melilha, o que nom impede que em nengum caso esteja prevista a prioridade da língua própria em qualquer dos territórios correspondentes. Inclusive no caso do catalám, sem dúvida o mais ambicioso do ponto de vista da língua minorizada, os defensores da imersom nessa língua nom passam de reclamar umha equiparaçom com a língua do Estado.

Em definitivo, a legalidade atual estabelece para todo o Estado espanhol a prioridade do castelhano ou espanhol, ficando as restantes línguas históricas em posiçons subsidiárias ou simplesmente fora da legalidade, como acontece com o astur-leonês nas Astúrias, o aragonês em Aragom, o árabe em Ceuta e o tamazig em Melilha.

Tanto o Partido Popular, como o PSOE e inclusive Izquierda Unida, defendem a imposiçom do modelo de imersom lingüística em espanhol para todos esses territórios, incluída a Galiza. De facto, ninguém neste Estado dito democrático parece pôr em questom essa flagrante e unilateral imposiçom, apesar de a língua imposta ser minoritária em vários territórios com personalidade própria, como ainda sucede na Galiza.

É evidente que a imersom lingüística em espanhol é defendida polo PP e polos outros partidos espanhóis. Tam evidente, que foi já constitucionalmente imposta na carta magna de 1978. A que responde entom a polémica atual em torno da imersom lingüística no ensino da Catalunha?

A polémica surge só quando num dos territórios periféricos, o Principat da Catalunya, se tenta aplicar um modelo de imersom parcial em catalám, em nengum caso tam intenso e generalizado como o vigorante para o castelhano no conjunto do Estado. É aí que saltam os mais intransigentes nacionalistas espanhóis, que veem perigar a absoluta hegemonia do idioma “companheiro do império” no que consideram ser só mais um pedaço da sua Espanha.

Umha vez situada a questom nos seus verdadeiros termos, só nos resta deixar no ar umha pergunta final: Por que motivo os nacionalismos periféricos continuam a aceitar os termos do debate trucado que a ideologia dominante espanhola impom através dos seus poderosos altifalantes mediáticos?

As legítimas aspiraçons de qualquer povo sem Estado devem passar pola reivindicaçom da oficialidade única ou principal da língua própria. Só isso poderá garantir a sobrevivência do nosso idioma e só nesses termos poderemos desmascarar o falso democratismo liberal das percentagens de presença minoritária que os espanhóis estám dispostos a ceder-nos como utentes de línguas constitucionalmente inferiores.

Claro que, certamente, todo o anterior nos obriga a assumir também umha irrenunciável aspiraçom como galegos e galegas conscientes: a de quebrar a Constituiçom de 1978 e o seu espírito profundamente antidemocrático e inimigo da diversidade nacional e lingüística.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Vídeo do debate entre Constantino García e Ricardo Carvalho Calero: "O porvir do galego" emitido na televisão de Galiza em 1986.

Nom deixedes de ver este video, fundamental!!



sexta-feira, 29 de julho de 2011

PP e PAR suprimirão o tímido progresso legal do catalão na Franja de Ponent.

Aqui tedes a verdadeira cara do PP em quanto ás línguas, todo é merda se nom é espanhol! Estes feixistas acabam com todo, nom tenhem piedade.

Món Divers no Diário Liberdade. [Trad. do Diário Liberdade] A nova presidenta aragonesa, Luisa Fernanda Rudi, confirma que o seu partido derrogará a Lei de línguas, baseando-se em critérios acientíficos.

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Adeus à Lei de línguas de Aragó, um regulamento que praticamente não teve tempo de ser aplicado. O PP, que pactuou com o regionalista Partido Aragonês (PAR) às Cortes aragoneses, anunciou que cumprirá a sua promessa eleitoral e derrogará a única lei que reconhecia o catalão na Franja e o aragonês nos vales dos Pirineus. Em troca, os conservadores espanhóis dizem que impulsionarão «as modalidades linguísticas próprias» de Aragão.

Qualquer linguista afirmará que as «modalidades linguísticas próprias» de Aragão são, além da variedade aragonesa da língua castelhana, as falas catalãs da Franja e as variantes da língua aragonesa, ao norte do país. Ao PP isto tanto lhe faz: trata-se de jogar à confusão e à acientificidade para cortar de raíz os tímidos progressos que catalão e aragonês tinham conseguido, depois de décadas de autonomia, graças à Lei de línguas, aprovada a anterior legislatura com os votos de PSOE e Chunta. A nova presidenta aragonesa, Luisa Fernanda Rudi, apressou a anunciar que o executivo que presidirá remeterá às Cortes uma lei de reforma que provavelmente suporá um corte profundo das disposições que continha. É bem possível que os nomes «catalão» e «aragonês» cheguem a ser suprimidos do texto legal.

O programa linguístico do PP aragonês

A decisão do PP aragonês estava bastante anunciada. Ao seu programa eleitoral, os nacionalistas espanhóis levavam a derrogação da Lei de línguas, que tinha de ser substituida por uma confusa «política ativa de preservação e divulgação das nossas modalidades linguísticas», sem especificar quais são. O programa do PP também qualifica o espanhol como «língua comum espanhola e aragonesa». Muito pelo contrário, os conservadores sim prometiam «fazer efetivo» em Aragão o reconhecimento que a línguagem gestual espanhola conseguiu no Congresso dos Deputados. O PAR, com um discurso semelhante, diz que na Franja não se fala catalão, mas um conjunto de «modalidades linguísticas». Os regionalistas foram pedindo, durante a anterior legislatura, que em cada município possa decidir como quer que se denomine a variante que se fala.

O sociolinguista Natxo Sorolla, no seu blog especializado em língua catalã, e redes sociais, analisa a questão e destaca que em Aragão, e diferentemente do que se passa na Catalunha, País Valencià, Illes, Euskadi, Nafarroa e Galiza, o PP tem um discurso muito veemente contra o bilinguismo e não se esconde da sua tentativa de impor o monolinguismo espanhol.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Acompanho-vos no sentimento.

Carta de parabens de ROBERT NEAL BAXTER à AGAL, polo 30 aniversário, misturado e remegido com reflexions de como ser reintegracionista nom practicante.
Interesante leitura para aqueles que gostem da temática e tenham dilemas existenciais sobre ll e lh, ou nh e ñ. Como é óbvio, eu concordo com moito do que el di, mas com algumhas outras para nada. Eu prefiro ser practicante.

http://terraetempo.com/artigo.php?artigo=1753&seccion=8

Aqui vai o outro artigo ao que ele próprio fai referência:


http://terraetempo.com/artigo.php?artigo=789&seccion=13


E aqui umha pequena mostra:

Eis o quid da cuestión: é posíbel escribir nun galego xenuíno independentemente da ortografía. Obviamente non coincido con AGAL na conveniencia de loitar para a restitución a curto prazo da grafía histórica do galego. Mais sigo a me considerar ideoloxicamente reintegracionista, se ben -por razóns que teñen máis a ver coa precarísima situación da lingua galega na sociedade do que con argumentos propiamente filolóxicos- me decanto persoalmente pola grafía españolizada (recoñézoo) da RAG, reformada en 2003 tras acadar un amplo consenso, reforma que considero positiva, aínda que non totalmente satisfactoria.Do mesmo xeito que tamén existen autoras/es que, ao mesmo tempo que reivindican a recuperación gráfica do galego, publican a súa obra ou parte dela na mesma grafía españolizada que a priori rexeitan. No entanto, non vexo aí ningunha contradición real, pois, como xa dixen noutro artigo, concibo o reintegracionismo (que non 'lusismo', xa que o país de referencia será sempre a patria galega) non como unha simple cuestión de ene agás e ces cedillados -de facto, non faltan exemplos de castrapo escrito á portuguesa que dista moito de ser galego reintegrado, por moito çom, ese duplo, xota ou acento circunflexo que houber- senón como un compromiso real coa lingua xenuína da Galiza, con independencia do español, sen renunciar á variedade diatópica interna do galego-portugués, mais sen caer na trampa do isolacionismo enxebrista que nos debilita fronte ao poderío do dominio do español.
Fago miñas, pois, as palabras de Teresa Moure (Ecolingüística. Entre a ciencia e a ética, páx. 68):

"[...] concordamos coa necesidade de acudir ao portugués na procura dun referente para formas léxicas ou gramaticais que non chegamos a desenvolver pola anormalidade do noso contexto social, que privou a lingua dunha vertente culta. No entanto, non utilizaremos o criterio de confluencia co portugués para ilustrarmos a nosa importancia no mundo, entre outras razóns porque non parece autorizado o argumento de que as linguas sexan máis relevantes por contaren con máis ou menos falantes."

Dito doutro xeito: abonda con que o galego sexa noso, lingua da Galiza, mais recoñecendo a unidade lingüística coa familia galego-portuguesa fronte "ás lóxicas opresoras do estado" (ibidem).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Desaparece "Galicia Hoxe"

Caetano Díaz: “Houbo quen quixo matar a sangue frío a ‘Galicia Hoxe’ e esa persoa é Núñez Feijóo”

>> "O que hai que dicir en Galicia é o que ao señor Feijóo lle interesa; con nós xa non conta", di Díaz
>> "Que a xente se esforce en defender a lingua e non en chorar polos que loitamos por ela e temos que morrer"

Na xornada de traballo máis triste, o director de Galicia Hoxe, Caetano Díaz, fala xa dende unha redacción baleira que onte pechou as súas portas e hoxe se despide dos quioscos. Quedan dúas sensacións contraditorias: por unha banda, que se “contribuíu ao xornalismo do noso país”, pero que dende a administración galega se puxeron moitas trabas para que aventura seguise adiante. Con Galicia Hoxe xa son catro os medios monolingües desaparecidos no último ano despois do peche de A Nosa Terra, Vieiros e A Peneira.

Entrevista completa, aqui:
http://www.xornal.com/artigo/2011/06/28/comunicacion/houbo-quen-quixo-matar-sangue-frio-galicia-hoxe-persoa-nunez-feijoo/2011062800150900605.html

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Letras Galegas para um reintegracionista.

José Paz Rodrigues, no Diário Liberdade.

Sempre fum crítico nos últimos tempos para uma sectária e endogâmica RAG, que preside nesta altura Méndez Ferrín. Contudo, desta vez quero dar aos académicos os meus parabéns por terem escolhido Valentim Paz-Andrade (1898-1987) para lhe dedicar as Letras Galegas do ano 2012. Quando lim as manchetes dos jornais anunciando a boa nova do seu nome nom podia dar crédito ao que estava a ler. O coletivo de académicos da RAG, com um bom número deles furibundos antilusistas, tinha nomeado um importante reintegracionista como Paz-Andrade. Que sempre teve claro que galego e português som a mesma língua, com sotaques diferentes, e que o nosso idioma pertence ao tronco linguístico luso-brasileiro. Apoiando em numerosos foros e escritos a lusofonia, em que a Galiza tinha que inserir-se. Espero que esta nomeaçom seja a abertura de uma porta para a cordura, e para que em anos sucessivos sejam nomeados três grandes galegos bons e generosos como Carvalho Calero, Guerra da Cal e Marinhas del Valle. Os três, como Paz-Andrade, do qual eram amigos, reintegracionistas e defensores do galego-português. Como também o eram, mesmo na sua escrita, e foram homenageados no seu dia dentro da data das Letras Galegas, Joam Vicente Biqueira (1974), Joam M. Pintos (1975), Antom Vilar Ponte (1977), Afonso IX O Sábio (1980), Vicente Risco (1981), Fermim Bouça-Brei (1992), Rafael Dieste (1995), os poetas medievais Meendinho, Joam de Cangas e Martim Códax (1998) e Roberto Blanco Torres (1999). E outros de sentimento e pensamento, embora nom na escrita, como Rosália de Castro (1963), Daniel Castelão (1964), Eduardo Pondal (1965), Florentino L. Cuevilhas (1968), Ramom Outeiro Pedraio (1988), Manuel Murguia (2000) e Manuel Lugris Freire (2006).

José Paz Rodrigues

Sempre fum crítico nos últimos tempos para uma sectária e endogâmica RAG, que preside nesta altura Méndez Ferrín.

Organizadores e assistentes à “Escola Internacional de Verão-8ª Jornadas do Ensino de Galiza e Portugal”, celebrada na escola Normal de Ourense, de 27 de agosto a 1 de setembro de 1984, tivemos a sorte de contar com a presença na mesma de Paz-Andrade, para nos falar da grande figura de Castelão. Sob a epígrafe de “Castelão, literatura, arte, política e ensino”, no primeiro dia das “Jornadas” teve lugar uma homenagem ao grande vulto de Rianjo. Na mesa redonda intervieram Paz-Andrade, Diaz Pardo e Carvalho Calero. Quem subscreve era o presidente da comissom organizadora e ainda lembra com nostalgia o jantar daquele dia com tam preclaras personalidades no antigo e formoso refeitório do já desaparecido Hotel Barcelona. Onde se hospedavam todos os docentes que lecionavam cursos e obradoiros nas “Jornadas”. Como se lembra também do roteiro do último dia, acompanhados por Dom Ricardo Carvalho Calero, às terras de Celanova, para visitar o mosteiro de S. Rosendo, capela de S. Miguel, Castro Mau, Vila Nova dos Infantes e Virgem do Cristal e, ao final, a leitura de poemas diante dos bustos de Curros e Celso Emílio. Onde Carvalho pronunciara umas belas palavras.

Além do seu profundo amor pola Galiza ao longo de toda a sua vida, Paz-Andrade carateriza-se pola sua trajetória multifacetada, tendo a Galiza sempre como norte ou como “tarefa”. Foi jornalista e criador de várias publicações periódicas, foi empresário galeguista criador de Pescanova, foi o que mais apoiou Blanco Amor no seu momento, foi literato, poeta e ensaísta, foi economista, político republicano e advogado. Entre as suas obras quero destacar Pranto matricial (1954), Galiza como tarefa (1959), Sementeira do vento (1968), O porvir da lingua galega (1968), La marginación de Galicia (1970), Cem chaves de sombra (1979), Castelao na luz e na sombra (1982), Galiza lavra a sua imagem (1985) e, especialmente, A galecidade de Guimarães Rosa (1978), onde como muito bem diz o meu amigo Carlos Durão, ademais de mostrar que no Brasil se usa a língua nossa comum e internacional, emprega palavras e expressões tam galegas como brasileiras, que nos som comuns. Como exemplo: amojar, chirimia, sanfona, orvalho, lusco-fusco (e lus-fus), noitinha, sol-pôr, arco da velha, lonjão, c[o]roça, fura-bolos, mata-piolhos, meninho, sovela, queixume, folgar-se de, ri que ri, verter água (mijar), arranjar (acomodar), pendão (do milho), folha de vide, etc. E nom quero esquecer-me que o nosso grande vulto publicou artigos na revista O Ensino, da que tive a honra de ser eu diretor, e a AGAL dedicou-lhe um número monográfico, o 51 de 1997, da sua revista Agália. Paz-Andrade estaria, como grande reintegracionista que era, com todas as entidades galegas que desde há tempo apoiam decididamente que o idioma galego deve fazer parte da lusofonia. Por isto, em 1986 era vice-presidente da comissom da Galiza para a integraçom do galego no acordo ortográfico lusófono do Rio de Janeiro. Tal comissom estava presidida por Guerra da Cal e, entre outros, faziam parte dela Isaac Estraviz, Marinhas del Valhe, Gil Hernández, Vilhar Trilho, Carlos Durão, Fontenla, Martinho Montero e quem subscreve o presente artigo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

E o mesmo, desde a RTP

Mudamos o ponto de referência, para seguir buscando-lhe os cinco pes ao gato.


E mentres nos fracturamos e nos deleitamos com "abismais" diferências, o espanhol avança e unifica, e nom fai caso aos "vos sos" nem farrapos de gaitas argentinas nem antioquenhas. Todo é a mesma língua. Todo é espanhol.

Nós, sem embargo, divididos pola linha que define os "pantalois". Temos o que merescemos.

Do galego de Asturias e Leom

Adicados vam estes videos a Manolo, que ainda estivemos falando ontem sobre isto. E que conste que impresiona moito mais ir à Veiga e ouvir a gente falar. Fica muito mais claro que no video este, muito mais hó!!!!

Depois de ver isto, um pensa em como dividindo e fracturando um pode vencer.
E de como outros defendem com tesom cara o leste umha cousa e cara o sul outra.



sexta-feira, 10 de junho de 2011

La lingüística y el nacionalismo lingüístico español. Juan Carlos Moreno Cabrera, catedrático de linguística da Universidade Autónoma de Madrid.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

As melhores frases nas dobragens ao galego

Corto e colo:
http://miraquefaciles.blogspot.com/2011/05/as-millores-frases-de-dobrexe-en-galego.html


Tódolos amantes do cinema preferimos ollar sempre as películas na súa linguaxe orixinal, en Versión Orixinal (con o sen subtítulos). Pero os galegos, sempre facemos unha excepción, e son esas xoias de dobraxe a nosa lingua que coa gracia do noso idioma, maila a dos traductores e actores de dobraxe conferen a certas películas o caracter de mítico a súa dobraxe.

E desas míticas dobraxes xurden míticas frases. Grandes exemplos:


Na primeira triloxía da "Guerra das Galaxias":
-Luke, non poñas os carro diante dos bois, dille Yoda a Luke durante o seu adestramento.
-Terma Chewee, que escorrego; Han Solo a Chewbacca no Halcón Milenario.
-Isto non che é como peneirar, meu!; conversa entre Han e Luke sobre o hiperespazo.
-E ti ris, furabolos!; Han Solo a Chewbacca, despois de que Leia rexeitara a Han.

Na serie "Dallas":
-¿Estás bébeda, Sue Ellen?; considerada a mais mítica frase do dobraxe galego.

"Instinto Básico":
-Ti ves unha perrecha e poste tolo.
-¿Cómo, fodiches nela?

"Terminator 2"
-Vai rañala, raparigo; versión do "Sayonara, bay" castelán, o do "Hasta la vista" original.

"Mystic River"
-Fillo do porco, marrán seguro; dito pola persoaxe que interpreta Sean Penn.

"O prezo do poder"
-Róncalle o carallo; di Tony Montana (en castelán foi "hay que joderse")

"Hot Shots 2"
-Escomenzamos a mañá cunha tonada de ana Kiro, di Charlie Sheen

A saga de debuxos de Son Goku "As bolas do dragón"
-Es un pimpim, Son Goku; dille Vexeta
-Voute esnaquizar, verme noxento.

"Pulp Fiction"
-Chámome Purrús, e por moito que latriques desta non sálva-lo cú; di Jules.

"Aberto ata o mencer"
-¿Queres que te coma a perrecha?

Os debuxos de "Shin Chan"
-Cuiño, cuiño

"A casa Rusia"
-Entras nun urinario, poste a falar cun moscovita e cando rematas de abanea-la pirola, amas esa cidade ; por Sean Connery

"O Sarxento de Ferro"
-No coche do meu vello, co depósito cheo, unha man na cona e polo cú un dedo; un dos cánticos.

"Demolition Man"
-Pensei que ía pras patacas; Stallone a Sandra Bullock.

"O silencio dos cordeiros":
-Podo cheirar a tua crica dende eiquí, dille un preso a Jodie Foster.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Galician Lyrics



Este ano vai dedicado a un poeta: Lois Pereiro. Publicou dous poemarios, un deles chamado "Poesía última de amor e enfermidade" e unha novela, "Náufragos do Paraíso", colaborou con revistas do seu tempo, coma Luzes de Galicia. Faleceu, segundo din, por causa do aceite de colza desnaturalizado (...lembrades), pero a súa figura nimbouse dunha aura especial por ter contraído a Enfermidade. O AIDS. Así aparece nas fotos que agora ateigan o país. Poeta de culto, tradutor do inglés e o alemán, viaxou por Europa e estivo en contacto coa contra-cultura do seu tempo. O underground, o europeizante. Non renunciou, porén, á súa lingua primeira, a da intimidade. Curiosa a relación cunha muller, Piedad, a quen lle dedica un diario entre os meses de marzo e xuño de 1995 (pouco antes de morrer) e que sae editado este ano. Deixara el escrito que era "irreproducible e impublicable", a menos que o beneficio lle servira a ela para "comerse un sándwich en Chinatown". Alí mestura os idiomas, o castelán, o francés, o alemán, o galego sempre para as cousas máis íntimas. Naquela altura xa non eran parella, que foran.

Unha das súas líricas:

Mala sorte

E por primeira vez desde que souben
que aínda respiraba e seguía vivo
sei o que é sentir medo a non estalo

Interrompido na mellor escea
cando estaba soñando un soño dérmico
de paixón e beleza
cunha serea distancia literaria e sabia

Só ela podía ser tan inoportuna
groseira inculta e pouco delicada
chamándome despois de ter sobrevivido
á confortable atracción do fracaso
e saber dunha vez o que era a vida
amar e ser amado.

Acéptanse interpretacións. Doutro poema del:

Somentes
intentaba conseguir
deixar na terra
algo de min que me sobrevivise
sabendo que deberia ter sabido
impedirme a min mesmo

descubrir que só fun un interludio
atroz entre dous muros de silencio
só puiden evitar vivindo á sombra
inocularlle para sempre a quen amaba
doses letais do amor que envelenaba
a súa alma cunha dor eterna
sustituíndo o desexo polo exilio
iniciei a viaxe sen retorno
deixándome levar sen resistencia
ó fondo dunha interna
aniquilación chea de nostalxia.


Interludio atroz... Doutra parte, Pereiro era irmán do xornalista Xosé Manuel Pereiro, que estivo detrás de proxectos coma Bravú. A Revista que sae cando a situación o require ou o grupo punk coruñés dos anos oitenta Radio Océano.... Recomendabilísimas as columnas que este home perpreta cada luns na edición galega de El País!

Vaia, en fin, a música dos setenta-oitenta e a lembranza, coma aqueles versos de Joy Division, na tradución do Leio i Arremecághona, para Lois... "o amor hanos esnaquizar, outra ves".


terça-feira, 26 de abril de 2011

Dez anécdotas

Traballo nunha célebre xoguetaría, o catálogo da cal, traducido por min durante un tempo, existe na nosa lingua por iniciativa miña. N’A Cruña hai dúas franquicias. De todos os dependentes que traballan nelas, tan só dous falamos en galego: unha rapaza colombiana, de orixe indíxena, que se namorou de todo o noso após ler a Álvaro Cunqueiro, e máis eu, fillo de emigrantes, nado en Venezuela e criado en Madrid. O resto –rapazas galegas e que estudaron o galego– empregan o español.

-Velaí estou eu. Na tenda. Falando en galego con todo o mundo agás con aquelas persoas que, obviamente, proceden de fóra. Por cortesía cara a elas –cortesía que, cando un viaxa fóra do seu país, rara vez atopa– e porque eu, ende ben, coñezo varias linguas. Un día, unha pequena nada, a todas luces, na Galiza, cun acento claramente cruñés, ó sentirme falar en galego, achégaseme a min, entre pampa e desconcertada, e pregúntame: “Mira… Y tú… ¿por qué hablas en inglés?”

- Outro día vexo entrar un cativo. Sorríolle: “Bos días, feituquiño!” O pequeno vólvese cara ó pai que vén tras dil e con innegable acento do país lle berra: “¡Papá, papá! ¡Aquí dentro hay un señor que es gallego!” E o pai retrúcalle, con traza de indignado: “¡Hijo! ¡Aquí todos somos gallegos!”

- Unha mañá sen actividade. Tan só estamos na xoguetería un señor e máis eu, cando chega outra persoa. “Boas tardes. Podo axudala en algo?” A señora, no canto de responderme, bota un bufido e comeza a pasear pola tenda coa vista alzada, ollando prós recunchos do teito da tenda, ata que, en saíndo o señor que entrara denantes ca ela, achégaseme a min paseniño, mirando a un lado e a outro como para asegurarse de que, en efecto, estamos os dous sós, e bísbame ó oído: “Oiga… Usted habla en gallego porque le obligan, ¿verdad?” “Non, señora”, respóndolle cunha mágoa a que, ende mal, xa estou a afacerme. “Eu falo en galego porque estamos na Galiza, porque é a nosa lingua e porque me gusta.”

E que diaños buscaba a muller polo teito?, coido eu despois de que ela marche. Cámaras de seguridade internas! Pensaba, ai, que alguén estaba a vixiarme! O Gran Irmao Impositor, si!

- Unha muller, con traza de labrega, sube ó autobús canda a súa filla adolescente. Logo de pagar, a rapaza diríxese a ela –coma sempre, obviamente–, en galego. A muller ponse rubísima de vergoña e, en voz ben alta, pra que todos a sintamos, xirándose ora cara á súa filla, ora cara á nós, os pasaxeiros do autobús, rífaa: “¡Ha! ¿Y tú por qué me hablas ahora en gallego? Porque en la casa hablamos siempre, siempre en castellano…”

- Entro nun bar de Elviña. O camareiro está a falar en galego con algúns seareiros habituais. A min non me coñece. “Un café con leite, por favor.” “¿Cómo lo quiere: en taza o en vaso?”, pregúntame il. E eu, pra que se decate do absurdo da situación, dígolle sorrindo, chanceando: “Pero, ho, a istes señores fálaslle en galego e a min en castelán. Por que? Acaso son eu menos ca iles?” “Pois tes razón”, comprende il. Ende ben.

- Soa o teléfono. “Xoán?” “Si, son eu.” “¿Qué es eso de son eu, son eu?”, rífame unha voz que me parece coñecer. “¡Que soy X, tú!”, confírmame unha amiga madrileña, poeta, culta e que fala varias linguas. “A mí háblame en español, ¿eh? Nada de gallegadas…” (Ende mal, iso acontéceme dabondo. Moitos amigos españois, artistas e de esquerdas, téñenme reprochado o feito de escribir e de falar agora en galego. Cousa incomprensible pra elas e pra iles que, ademais, coma a maioría dos españois, teñen unha idea absolutamente equivocada de ou ignoran por completo a nosa historia, a nosa cultura e a situación sociolingüística que estamos a padecer. Peor aínda: cando parolamos do tema, cando lles explico que o pobo galego, coma tal, corre perigo de extinción, sempre acabo decatándome de que, no fondo, coma á maioría dos españois, tanto lles ten. O seu é unha mestura de ignorancia e de indiferenza –cando non de desprezo, que tamén. De feito, outro amigo polo que, malia a súa incomprensión, sinto unha enorme estima, me confesou aí atrás que “cuando me mandas algún e-mail en gallego, yo lo borro ipso facto, sin leerlo.”)

- Asisto a un concerto dun cantautor galego, afincado en Francia pero que canta e compón en galego. Á saída do Teatro Colón, mentres converso cunha parella amiga, vexo saír unha coruñesa de toda la vida, cuberta cun abrigo de visón, acompañada da súa filla, á quen lle comenta: “Ay, las canciones te me gustaron mucho, pero, hija, ¡qué manía tiene esta gente de cantar en gallego!”

- Serán de domingo. Vou no coche coa miña sobriña, buscando unha rúa onde vive unha amiga dela coa que quedou. Ninguén polo rueiro. De súpeto vexo tres persoas maiores: un señor e dúas señoras. Paro. Baixo do coche. “Desculpe”, diríxome a il, “sabe vostede cal é a Rúa Uruguay?” “Sí, la conozco”, dime o señor do abrigo de loden, sorrindo ironicamente. “Pode dicirme onde está?”, insisto, apurado. “Puedo…”, continúa il co seu ar de suficiencia, “si usted me lo pregunta en español.” “Como di?”, sorrío eu sen dar creto ó que escoito. “Digo que si usted me pregunta en español: ¿Sabe usted dónde queda la calle Uruguay?, yo se la indico.” “Non fai falla”, retrúcolle eu facendo un esforzo por conterme e non afogalo alí mesmo. “O único que me faltaba por ver xa é alguén da miña propia cidade, do meu propio país esixíndome que non fale a nosa lingua e obrigándome a falar outra na miña propia cidade e no meu propio país. Abur, señor! Bo serán!”, guíndolle denantes de volver entrar no coche e seguir buscando. Pero o máis gracioso de todo é que, un minuto despois, albisqueino de lonxe todo encabuxado, rubio de ira, facendo grandes acenos e –seguramente– botando pestes de min ás súas acompañantes. Manda carallo!

- Chego cas meus pais, que viven nunha urbanización do Concello de Culleredo. Ó baixar do coche, vexo dous pequenos, un neno e unha nena, vindo cara a min. “¡Hola!”, dime a cativa duns dez anos, a quen non coñezo. “Ola, amiguiños…” “¿Cómo te llamas?”, pregúntame ela. “Eu chámome Xoán, e vós?” “Pero… ¿tú hablas en gallego?”, abráiase a pequena, con acento galego, arregalando os ollos. “Xaora, porque estamos na Galiza e eiquí somos galegos…”, respóndolle eu ó seu silencio. “A ver…”, intento facerlle comprender. “Ti sabes qué lingua falan en Inglaterra?” “Sí, el inglés.” “E en Francia?” “El francés.” “Ben, pois eiquí, como somos galegos, falamos o galego.” “Pero entonces… ¿a ti te gusta el gallego?”, insiste ela, con cara de noxo. “Claro. A min gústanme todas as linguas. E o galego... encántame.” “Pues yo lo odio”, afirma ela rotunda. “E logo?” “Pues porque en el colegio me obligan a estudiar todas las asignaturas en gallego.” “Iso non é verdade”, dígolle eu, con suavidade. “Ti estudas algunhas en galego, outras en castelán e o resto en inglés, que o sei eu.” “Bueno”, acepta ela, “pero da igual. Yo lo odio de todas formas.”

NOTA: Podería contarlles un cento de anécdotas, tan incribles pero tan reais coma estas, que sufrín en carne propia durante os doce anos que xa levo vividos na Galiza. Pero pra que? Serviría de algo?

http://xoanabeleira.blogaliza.org/2011/04/25/dez-anecdotas-reais-sobre-o-galego/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cursos de Português para galegos, na cidade de Porto

Para quem quera passar umhas férias e aprender a escrever a norma internacional do galego.



http://www.aporto.org/

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Espanhol, pasinho para tras....

Os mass média espanhois esquecerom dar esta notícia sobre o importantísimo que é o espanhol no mundo, como abre portas e nom esas merdas que se falam na periféria... E de como o PP defende o "pinganillo" em Europa, em Espanha nom.

A castelá non é válida como lingua de prestixio comercial en Europa, status que a partir de agora terán soamentes o inglés, o francés e o alemán co novo sistema de patentes, aprobado onte no Parlamento europeo. O sistema, que bota a andar en doce países, pretende abaratar os custos das patentes, dez veces máis caros que en Estados Unidos.

O Partido Popular (PP), que en España se opón á apoio das linguas cooficiais no Senado, uniuse ao PSOE para protestar contra a expulsión do castelán como lingua comercial da Unión Europea.

Segue aqui: http://www.galiciahoxe.com/mare/gh/castelan-perde-na-ue/idEdicion-2011-01-28/idNoticia-634229/